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FRUTAS CRISTALIZADAS – UMA VIAGEM AO BERÇO DA CRYSTALLISED FRUIT – PARTE 3

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Clique aqui para ler a PARTE 2 da nossa viagem.

Ainda por APT… Grandes surpresas na terceira parte da viagem.
No dia seguinte, depois da estupenda impressão que tivemos no museu e nas primeiras fábricas, fomos visitar uma Confiserie um pouco fora da cidade.

A loja e fábrica ficam às margens de um rodovia rodeada por plantações de lavandas, que infelizmente já tinham sido colhidas, mas deixaram um campo limpo e lindo de se ver!
Vocês não vão acreditar, mas confesso que ao entrar na loja fiquei um pouco desapontada. Era uma loja grande, mas com pouca ênfase nos doces, cheia de souvenirs, louças e muitos outros objetos.

Lá no fundo, no meio de um monte de coisas, estava Sylvie: uma mulher muito bonita envolta por doces à espera de serem embalados.

Simpática e atenciosa, Sylvie nos atendeu com gentileza e compartilhou conosco sua visão de como era difícil fazer doces e que os mesmos são pouco lucrativos.

Durante nossa conversa, Sylvie atravessou lentamente a porta, pegou uma bacia de pêssegos que lá estava há mais de 3 meses e calmamente nos explicou todo o processo.

Ela nos disse que seu marido Denis  trabalha duro 7 dias por semana na produção e que eles têm um casal de filhos que estudam fora.

Foi nesse momento que uma linda moça loira entrou na loja e ela nos apresentou, era justamente a sua filha!

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Sylvie disse que ela e seu marido não gostariam que seus filhos seguissem a mesma profissão, principalmente por causa das dificuldades… E eu fiquei chocada!

Eu estava fazendo o oposto: estava ali com meus dois filhos empenhados em buscar e conhecer mais sobre a transformação de frutas em obras de arte e ela dizendo que não deseja que os filhos sigam este caminho.

Compramos nosso doces e fomos embora. Saí com os doces na sacola mas um amargo na alma.

Não obstante a própria arte ser ancestral, a fábrica deles é uma fábrica que passou de geração em geração. Mesmo assim eles não querem que a tradição continue pelas mãos de seus filhos.

Na minha opinião, mesmo que saibamos que nossos filhos não vão seguir nosso caminho profissional, devemos passar para eles o amor que sentimos pelo nosso trabalho. Só assim eles serão capazes de amar o que escolherem como meio de se sustentarem e realizarem os seus sonhos.

Além disso é comum que direta ou indiretamente, em suas profissões escolhidas, os filhos contribuam com a profissão de seus pais, que ao longo de suas vidas lhes proporcionaram o melhor.

Enfim… Seguimos para mais uma visita à outra loja, dessa vez localizada no centro de APT. Como chegamos na hora da siesta tivemos tempo de observar a vitrine.

Os doces eram muito lindos mas não sei porque, achamos que a loja não tinha uma boa energia. Talvez fosse pelas galinhas embalsamadas em meio aos doces e às peças antigas… A dona finalmente chegou trazendo uma cesta de doces! Quando adentramos a loja a impressão também não foi muito boa.

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Assim como Sylvie, a frustração da mulher era evidente, seu negócio não estava em um bom momento e decidimos encerrar por ali a nossa visita.

Novamente e para minha surpresa saí da loja frustrada… Desde então tenho pensado muito nesses modelos de negócios que conhecemos em APT e a pergunta que deixo para vocês, meus caros leitores, são as mesmas que me faço:

  • O que faz com que negócios tão similares tenham resultados tão diferentes?
  • O que faz com que eles  possam ser abundantes e perenes e, ao mesmo tempo, tão pouco rentáveis ao ponto de frustrar seus próprios donos?

Ao cair da noite, tentando encontrar respostas, fomos para nosso hotel e seguimos no dia seguinte para Saint-Remy-de-Provence.

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